quinta-feira, 7 de julho de 2011

ADVOCACIA E ORATÓRIA OU DO HOMEM DE BEM QUE SABE FALAR.


Quando ingressei na faculdade de direito, eu tinha uma meta: me formar para poder prestar algum concurso mediano e me estabelecer financeiramente. Alguns meses passaram e me interessei por ler a obra de um dos mais notórios advogados do Acre: Dr. Sanderson Moura. Já o conhecia das páginas de jornal, dos noticiários, sempre envolvendo causas criminais, mas achava que ele era uma daquelas exceções dos formados em direito que se tornavam grandes advogados devido um dom que poucos  têm. Sempre achei – e, também, influenciado pela opinião dos outros ao meu redor –, que a advocacia era um caminho árduo, mais trabalhoso e incerto financeiramente, somente os melhores conseguiam. Não me interessava de forma alguma este caminho, apesar de apreciar desde pequeno a advocacia, os grandes júris e os advogados de filmes, queria seguir outras áreas e não ter a responsabilidade que um advogado possui. Pois o advogado, às vezes, tem a vida das pessoas em suas mãos, tem o seu futuro, tem os seus problemas. Sem contar o temeroso exame da ordem que a cada dia está mais difícil. Enfim, eu queria vida fácil.

E então eu li o livro: Advocacia e Oratória ou do homem de bem que sabe falar. São quase 200 textos em três partes abordando vários temas, mas me dando a sensação de que a moralidade e o direito podem, sim, andar juntos. Me fazendo pensar no quão gratificante é esta profissão, o caminho é árduo, eu sei disso, mas pelas palavras do Dr. Sanderson, em suas várias experiências como advogado, despertaram em mim um interesse fora do comum. Vi que é esse caminho que eu quero trilhar, o caminho mais difícil, porém, mais gratificante, não financeiramente, acredito que isso é uma consequência, mas gratificante para a vida, gratificante para a população, pois se trata de um defensor do povo, o homem de bem. É assim que eu quero ser e tive a honra de ter como grande fonte de inspiração um advogado da minha terra.

Muito Obrigado, Dr. Sanderson, apesar de ainda não o conhecer pessoalmente, e tendo meu e-mail respondido rapidamente onde o senhor se colocou a disposição para autografar o meu livro, eu desejo que sua obra possa despertar o mesmo tipo de interesse que despertou em mim.

Abaixo selecionei, na íntegra, um dos textos que contém no livro.

O segredo do falar simples

Quem fala difícil pouco sabe, no fundo, ele é um vazio, um vazio cheio de verborragia.

Quanto mais a pessoa sabe, mais fácil ela fala. O mesmo se dá na escrita.

Quem escreve difícil está pedindo para não ser lido. Quem fala difícil está pedindo para não ser ouvido.

Falar com simplicidade é o melhor caminho para alcançar o desiderato, aquilo que se almeja, e sempre é bom desejar coisas essenciais, coisas nobres.

Não é fácil, como muitos pensam, falar com simplicidade. Porque a simplicidade é uma virtude que nasce na alma, precisa ser plantada e cultivada com carinho.

Seja no júri, na política, na igreja, na cátedra, é no falar simples que reside a beleza das palavras.

É por isso que o homem arrogante nunca foi um mestre verdadeiro na arte de dizer.

Faz parte da natureza do bem falar e do falar bem, a simplicidade, pois é ela quem tem a energia alquímica que purifica as palavras, tornando-as graciosas aos sentimentos.

A própria pronúncia da palavra, quando feita de forma lenta e gradual e perceptiva, nos revela toda a sua riqueza: simmm.....plii......ci.....da....de.

É uma mina de ouro, eis o segredo do falar simples. Cada palavra uma pepita de ouro, cada pepita de ouro uma palavra.

Para quem quiser conhecer um pouco mais:

http://sandersonmoura.blogspot.com/

PS: Para quem se interessar em adquirir o livro, ele está disponível em todas as livrarias de Rio Branco. 

A Educação é a base de tudo.



Há muito, eu já havia demonstrado neste blog a minha admiração pela Professora Amanda Gurgel, em seu ato de coragem diante de deputados e da secretária de educação do Rio Grande do Norte e outras autoridades do estado. Aquele vídeo, que pode ser visto aqui, ganhou proporções nacionais, a luta dessa corajosa professora foi de conhecimento do Brasil todo, provavelmente ela servirá de inspiração para outros professores em nosso país, e não só os professores, toda a comunidade que anseia por uma educação de qualidade em nosso país. Eu sempre venho batendo na mesma tecla, seja em defesa da educação ou em defesa do meio ambiente, tendo como fontes inspiradoras a Ex-Senadora e Ex-Ministra do Meio Ambiente Marina Silva, seja o glorioso Senador Cristovam Buarque, seja a Professora Amanda Gurgel. E para provar que esta professora não queria apenas fama e notoriedade nacional, segue, abaixo, um post tirado de seu blog e que também está circulando por vários veículos de informação online do país, o mínimo que podemos fazer como cidadãos de um Estado Democrático de Direito é divulgar da melhor maneira possível...


(...)
Oi,
Nesta segunda,o Pensamento Nacional de Bases Empresariais (PNBE) vai entregar o prêmio "Brasileiros de Valor 2011". O júri me escolheu, mas, depois de analisar um pouco, decidi recusar o prêmio.
Mandei essa carta aí embaixo para a organização, agradecendo e expondo os motivos pelos quais não iria receber a premiação. Minha luta é outra.
Espero que a carta sirva para debatermos a privatização do ensino e o papel de organizações e campanhas que se dizem "amigas da escola".

Amanda


Natal, 2 de julho de 2011


Prezado júri do 19º Prêmio PNBE,


Recebi comunicado notificando que este júri decidiu conferir-me o prêmio de 2011 na categoria Educador de Valor, “pela relevante posição a favor da dignidade humana e o amor a educação”. A premiação é importante reconhecimento do movimento reivindicativo dos professores, de seu papel central no processo educativo e na vida de nosso país. A dramática situação na qual se encontra hoje a escola brasileira tem acarretado uma inédita desvalorização do trabalho docente. Os salários aviltantes, as péssimas condições de trabalho, as absurdas exigências por parte das secretarias e do Ministério da Educação fazem com que seja cada vez maior o número de professores talentosos que após um curto e angustiante período de exercício da docência exonera-se em busca de melhores condições de vida e trabalho.

Embora exista desde 1994 esta é a primeira vez que esse prêmio é destinado a uma professora comprometida com o movimento reivindicativo de sua categoria. Evidenciando suas prioridades, esse mesmo prêmio foi antes de mim destinado à Fundação Bradesco, à Fundação Victor Civita (editora Abril), ao Canal Futura (mantido pela Rede Globo) e a empresários da educação. Em categorias diferentes também foram agraciadas com ele corporações como Banco Itaú, Embraer, Natura Cosméticos, McDonald's, Brasil Telecon e Casas Bahia, bem como a políticos tradicionais como Fernando Henrique Cardoso, Pedro Simon, Gabriel Chalita e Marina Silva.

A minha luta é muito diferente dessas instituições, empresas e personalidades. Minha luta é igual a de milhares de professores da rede pública. É um combate pelo ensino público, gratuito e de qualidade, pela valorização do trabalho docente e para que 10% do Produto Interno Bruto seja destinado imediatamente para a educação. Os pressupostos dessa luta são diametralmente diferentes daqueles que norteiam o PNBE. Entidade empresarial fundada no final da década de 1980, esta manteve sempre seu compromisso com a economia de mercado. Assim como o movimento dos professores sou contrária à mercantilização do ensino e ao modelo empreendedorista defendido pelo PNBE. A educação não é uma mercadoria, mas um direito inalienável de todo ser humano. Ela não é uma atividade que possa ser gerenciada por meio de um modelo empresarial, mas um bem público que deve ser administrado de modo eficiente e sem perder de vista sua finalidade.

Oponho-me à privatização da educação, às parcerias empresa-escola e às chamadas “organizações da sociedade civil de interesse público” (Oscips), utilizadas para desobrigar o Estado de seu dever para com o ensino público. Defendo que 10% do PIB seja destinado exclusivamente para instituições educacionais estatais e gratuitas. Não quero que nenhum centavo seja dirigido para organizações que se autodenominam amigas ou parceiras da escola, mas que encaram estas apenas como uma oportunidade de marketing ou, simplesmente, de negócios e desoneração fiscal.

Por essa razão, não posso aceitar esse Prêmio. Aceitá-lo significaria renunciar a tudo por que tenho lutado desde 2001, quando ingressei em uma Universidade pública, que era gradativamente privatizada, muito embora somente dez anos depois, por força da internet, a minha voz tenha sido ouvida, ecoando a voz de milhões de trabalhadores e estudantes do Brasil inteiro que hoje compartilham comigo suas angústias históricas. Prefiro, então, recusá-lo e ficar com meus ideais, ao lado de meus companheiros e longe dos empresários da educação.

Saudações,

Professora Amanda Gurgel


Abaixo a entrevista da Professora no programa Domingão do Faustão:

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Enquete: Todo filho de político deveria estudar em escola pública?



Maior defensor de uma educação de qualidade depois do saudoso multitalentoso Darcy Ribeiro, que lutava pela democratização do ensino público, o senador Cristóvam Buarque é o atual baluarte da educação pública de qualidade.

Sem conseguir enxergar luz no fim do túnel pelo descaso seguido de gestores sem compromisso com a área, CB viu uma única chance para resgatar o ensino público: obrigar todos os filhos de políticos a estudar em escola pública.

Assim criou um projeto de lei para tal (PL 480/2007), mas que há quase quatro anos está em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

O projeto estabelece que todo político eleito no Brasil – nos âmbitos federal, estadual ou municipal – terá, obrigatoriamente, que matricular seus filhos na rede de ensino público, com a certeza de que iriam investir mais não apenas na educação, mas na qualidade de outros serviços públicos.

Bom que a decisão abrangesse também a área da saúde pública. Que todo político e seus familiares fossem obrigados a se tratar em unidades de saúde e hospitais públicos.

Diante da intenção do senador pedetista, criei uma enquete no blog que sonda a opinião sobre o projeto.

Vote.

As Misérias do Processo Penal: Preocupe-se apenas com a sua vida!


Terminei o livro As Misérias do Processo Penal de Francesco Carnelutti. Um bom livro, diga-se. Abordando o processo penal, sua importância para a civilização, tal como suas dificuldades, curiosidades e, principalmente, suas imperfeições.

Mas, o interessante de tudo é que o livro mostra um pouco da rotina das pessoas, que mesmo nos dias de hoje, se mostra ainda mais forte do que na época em que o autor escreveu esta bela obra. Apesar de voltado ao tema, vou destacar que o trecho abaixo reflete muito mais que os casos penais:


(...) “Um pouco em todos os tempos, porém na época atual cada vez mais, interessa o processo penal à opinião pública. Os jornais ocupam uma boa parte de suas páginas com a crônica dos delitos e dos processos. Quem os lê tem consigo a impressão de que neste mundo se produzem muito mais delitos do que boas ações. O que ocorre é que os delitos assemelham-se às papoulas, que quando há uma em um campo, todos se dão conta dela; e as boas ações se ocultam, como as violetas entre as ervas do prado. Se os jornais se ocupam com tanta assiduidade  dos delitos e dos processos penais, é porque a gente se interessa muito por eles; sobre os processos penais chamados célebres, lança-se avidamente a curiosidade do público. E é também esta uma forma de diversão; evade-se da própria vida ocupando-se da vida das demais pessoas; e a preocupação não é nunca tão intensa como quando a vida dos outros assume o aspecto de drama (...)

(...) a respeito dos protagonistas do drama penal é a mesma que tinha há um tempo a multidão diante dos gladiadores que combatiam no circo (...)

À primeira vista não há como perceber semelhança, mas essa rotina existe não apenas nos casos penais, algumas pessoas perdem o tempo de sua vida atento ao próximo, ou ao desconhecido. Pois a sua própria vida monótona não lhe proporciona a ocupação devida para deixar de cuidar ou analisar a vida dos outros. Essa conduta, às vezes, é praticada com orgulho, coisa de bater no peito inflado e declarar-se bom, tudo por estar ávido aos atos e pensamentos de outrem.  Alguns são hipócritas ao ponto de dizer que não o fazem; mas todos fazemos, alguns mais outros menos.

Só não concordo em ver que tem alguém pensando que sabe tudo, quando na verdade não sabe nada, não consegue nada, não acerta em nada. Todos somos imperfeitos, não tem porque alguém ficar tentando uma análise minuciosa e apontando as imperfeições dos outros. A lei é cada um no seu quadrado, cada um com sua vida, cada um com suas preocupações. Não há porque você se preocupar com o que o outro pensa, ou tentar, de maneira indireta, cutucar o outro. É o cúmulo do contraditório, estará atestando que sua vida é sem sal, improdutiva, infeliz... 


É pura perda de tempo e o tempo, nos dias de hoje, é precioso...

terça-feira, 5 de julho de 2011

Rocha denuncia esquema de “laranjas” na administração de Nilson Areal - Sena Madureira

Foto: AC24horas


Trata-se do Prefeito mais corrupto do Acre! Cadê a justiça numa hora dessas?!


Leia na íntegra em: Ac24horas

Usina Álcool Verde, um sonho?



A Usina Álcool Verde, no dia em que se iniciou a moagem da cana para a produção, nesse ano de 2011, de 5 milhões de litros de álcool. Em 2012 haverá a produção, pelo planejamento da empresa, de 25 milhões de litros de álcool.

O Acre tem um consumo anual de 11 milhões de litros de álcool. A partir de 2012, a Álcool Verde produzirá o dobro da demanda local e, como haverá redução de preços, a tendência é mais e mais acreanos utilizarem o álcool em seus carros flex.

A empresa pretende, a partir de 2013, iniciar a produção de açúcar, o que demandará a construção de uma unidade produtiva, gerando mais empregos do que na produção de álcool.

Tudo muito bonito, tudo muito evoluído, mas será que isso sairá do papel? Será que teremos o privilégio de ter o preço do nosso álcool reduzido? De fato, se isso realmente acontecesse, ia ser muito bom para quem pena pagando a gasolina mais cara do país. A demanda seria muito maior, geraria empregos diretos e indiretos, facilitaria a vida do povo acreano.

Vamos esperar sentados pra não doer as pernas e não dar bolhas nos pés...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

OAB reprova nove em cada dez bacharéis em exame...


Índice é o pior da história da entidade. Entre 116.000 inscritos, apenas 9,7% foram aprovados
 
O resultado final do último exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), realizado em dezembro de 2010, é o pior da história da entidade: apenas 9,74% dos bacharéis em Direito foram aprovados de um total de 116.000 inscritos, segundo dados do Conselho Federal da OAB. Nesse universo também estão incluídos os treineiros - estudantes do último ano da graduação (9.º e 10.º períodos) -, que tiveram um desempenho superior ao dos diplomados.

Até então, o pior índice do país era de 14% de aprovados, entre os 95.700 inscritos no primeiro exame feito pela OAB no ano passado, de acordo com o jurista e cientista criminal Luiz Flávio Gomes, fundador da rede de ensino LFG.
O exame foi unificado em 2010, o que, segundo Gomes, ajuda a explicar o aumento da reprovação: a porcentagem de aprovados, na média entre os três concursos anuais, caiu de 28,8%, em 2008, para 13,25%, em 2010. Antes, cada estado fazia sua seleção, o que possibilitava, segundo a OAB, que um candidato se submetesse a provas mais fáceis em algumas regiões do país.

Especialistas acreditam que o mau desempenho dos candidatos é mais profundo: está associado à má qualidade da educação básica e do ensino superior, à falta de dedicação do aluno e à abertura indiscriminada de faculdades de direito.

Para Marcelo Tadeu Cometti, coordenador de pós-graduação no Complexo Damásio de Jesus, o problema começa na educação básica. "O aluno não tem formação para entender o que é oferecido no ensino superior, e a culpa é do estado", diz. "Se os docentes das melhores universidades de São Paulo forem colocados para lecionar nessas faculdades de baixo índice de aprovação, os resultados não serão melhores." Para ele, aluno com má formação e sem hábito de leitura não é aprovado.

O calendário da OAB está atrasado. A primeira prova de 2011 será neste mês, dia 17. A segunda está prevista para 21 de agosto. Os resultados serão divulgados em 13 de setembro.

(Com Agência Estado)

A reclamação de alguns no que diz respeito ao fim do exame parece inviável para a maioria dos estudantes e bacharéis. Segundo pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas nada menos do que 83% dos entrevistados consideram o Exame importante ou muito importante para manter o bom nível da Advocacia. Nitidamente favoráveis à realização do Exame correspondem a 82%, enquanto 86% preferem o modelo unificado em todo o país, como o que vem sendo adotado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Sua utilidade é reconhecida por 75% dos bacharéis, 62% consideraram acertada a contratação da FGV para a aplicação das provas, e 57% apontam como causas para o elevado índice de reprovação tanto o fraco desempenho de qualidade das faculdades quanto o próprio despreparo dos alunos. Apenas 26% consideram ruim ou péssimo o atual formato do certame.

O negócio é estudar e estudar, não podemos é ter a sociedade infectada por profissionais medíocres no mercado. Isso seria o fim da advocacia...